Dia desses passou pela minha cabeça
como seria a vida se torcesse para o Cruzeiro, time do Barro Preto, como gosto
de chamar.
O time azul é líder do campeonato
Brasileiro, tem uma média de gols por partida elogiada, além das suas duas
Libertadores e quatro Copas do Brasil como a gente sabe de cor porque este é o
único repertório da torcida quando se faz de cega aos feitos do rival.
Concluí que se eu fosse cruzeirense,
seria infeliz. A vida não teria emoções. Muito menos nesta Libertadores em que
o Galo foi CAMpeão. E é dela que eu quero falar.
- Em todas as conquistas do time do
Barro Preto, sendo a última em 2003, não tínhamos rede social. Comemorar onde?
Brigar com quem? Deletar quais amigos? Deixar de seguir quantos? Dar ‘’block’’
em quem? Essas coisas não existiam naquela época.
- Se eu fosse cruzeirense, não teria
visto o Brasil aos pés do Galo. O Brasil virou atleticano e viu o que é ser
torcedor do Clube Atlético. Sentiu na pele o que é ser forte e vingador.
- Se eu fosse cruzeirense, não teria
visto Ronaldinho Gaúcho, o melhor do mundo por duas vezes, dar shows e mais
shows em campo com o manto (sagrado) preto e branco. A começar por uma simples
água e o considerado mito Rogério Ceni. E depois várias assistências, cobrança
de pênalti, de escanteios, de faltas que culminaram em gols da saga em busca do
título.
- Se eu fosse cruzeirense, não teria
visto o meu time ser chamado de cavalo paraguaio e depois mostrar às Américas
quem é era o melhor clube, a melhor equipe, os campeões. Eu não teria dado um
tapa na cara da sociedade e da imprensa bairrista.
- Se eu fosse cruzeirense, eu não
teria visto o meu time ter a melhor campanha da Copa. E a melhor campanha nos
levou a decidir partidas importantes em casa.
- Se eu fosse cruzeirense, eu não
teria visto um garoto marcar um gol aos 46 minutos do segundo tempo que deu ao
Galo um empate importantíssimo, no México, após 20 horas de viagem e jogar em
gramado sintético. Ah, o garoto, um simples jogador, se jogou no chão e pôs-se
a chorar... por que fizeste isso, Luanzito?
- Se eu fosse cruzeirense, eu não
teria visto, talvez, uma das imagens mais marcantes e importantes do futebol
brasileiro nos últimos anos. Eu não teria visto um pênalti aos quase 46 minutos
do segundo tempo (45’54’’). E muito menos veria a cena que o atleticano vai se
lembrar pro resto da vida. A defesa do goleiro Victor, de pés e mãos santos.
Uma canhota que vale por quantas Libertadores, Copas do Brasil, Brasileiros,
Recopas e Mineiros forem. Eu não teria visto um santo dentro do Clube Atlético.
- Se eu fosse cruzeirense, eu também
não teria visto esta canhota tantas vezes na vida. Ela foi repetida na TV à
exaustão nos dias seguintes. Isso reforça o marco desta defesa na história do
futebol. E o quanto o país tornou-se atleticano.
- Se eu fosse cruzeirense, eu não
teria visto o Galo tomar um gol no último lance da partida numa cobrança de
falta em plena
Argentina. ‘’No llores por mi, Mineiro’’, cantava Scocco.
- Se eu fosse cruzeirense, eu muito
menos teria visto um time ser declarado derrotado sem antes ter o segundo jogo para
dar a virada. Isto merece detalhes. Eu não teria visto o time fazer o gol aos
três minutos do primeiro tempo por um menino de alegria nas pernas que o mundo
rendeu-se à ele. Também não teria visto um apagão do time e um apagão no
estádio. Mas eu estava ali, junto à 8 milhões, gritando “eu acredito”. E muito
menos teria visto um cara que jogou no time azul entrar em campo e marcar em
seguida aquele que seria o gol da disputa de pênaltis.
- Se eu fosse cruzeirense, não teria
feito tantos testes cardíacos em tão pouco tempo. O primeiro, mais sério, eu
diria, foi o da canhota de São Victor. Depois, essa disputa de pênaltis
dramática com o tido melhor time da Argentina e talvez, ao lado do Galo, das
Américas. Era outro Club Atlético: o Newell’s Old Boys. E nesta disputa
dramática, mais uma defesa impecável, agora com as mãos, do santo atleticano.
- Se eu fosse cruzeirense, não teria
visto o meu Galo ir à final da Libertadores pela primeira vez na história do
clube. Eu não teria visto jogos de tanta emoção e tanta gente torcendo
arduamente pelo Atlético das Minas Gerais. E conhecer um time com tanta bravura
e tão amado por sua torcida.
![]() |
| Se fosse cruzeirense, estaria assim |
- Se eu fosse cruzeirense, não teria
visto o meu time perder de novo fora de casa por 2x0 e assim alimentar a
mística frase “eu acredito” por minutos, horas e dias e ficar sem viver direito
por semanas. Além de rezar todas as orações e pedir a todos os santos proteção
ao santo atleticano e à todos os seus discípulos.
- Se eu fosse cruzeirense, não teria
visto os colegas torcedores dormirem na fila a fim de garantir um mísero,
precioso e honroso ingresso para ver o maior espetáculo da história do
Atlético, até aqui. Eu não teria visto uma festa linda na cidade antes daquele jogo.
Eu não teria visto quase 60 mil pessoas lotarem o Mineirão e entrarem para a
história como a maior arrecadação de verba da história do futebol sulamericano.
- Se eu fosse cruzeirense, eu não
teria visto um ex-jogador do time azul, com a sua cabeça abençoada, marcar aos
41 minutos do segundo tempo o gol que levaria, mais uma vez, aos pênaltis. Eu
não teria visto tamanha emoção do torcedor, do fã de futebol Brasil afora.
- Se eu fosse cruzeirense, meu amigo,
eu não teria visto aquela bola bater na trave e dar de vez o título de direito
e merecimento ao Clube Atlético Mineiro, que não deixou de acreditar um minuto.
Que lutou mais de 40 anos para conquistar esta taça. Que doou-se por seis meses
em busca dela. Que jogou a partida mais importante da história do clube com
todo o banco de sangue do Hemominas e mostrou quem é o Galo forte e vingador.
- Se eu fosse cruzeirense, eu não
teria ficado tão feliz como naquele 25 de julho de 2013. Não teria comemorado
por dias um título suado e bonito. Não teria visto tanta gente naquela praça 7
cantando o hino do clube com tanto orgulho e amor.
- Se eu fosse cruzeirense, não teria
como lema de vida “eu acredito”. Não teria como lema “Yes, We CAM”. Não teria
um santo no gol. Não teria as Américas aos meus pés. Eu não bateria no peito
com tanto orgulho e não gritaria com tanto ardor aos quatro cantos do mundo: eu
sou atleticana!

Flávya Pereira é atleticana desde que entende o que é futebol, jornalista e fã dos Beatles. E de aniversário – no último dia 04 de Agosto – ganhou de presente o título de CAMpeã da América.

Nossa!!!! Já estava quase chorando aqui, mas depois que vi a autoria do texto, com a foto que eu mesma cliquei, não pude conter as lágrimas. Foi um momento lindo, que passamos juntas, chorando de alegria e tristeza, vivendo a maior emoção do mundo!
ResponderExcluirSó que dessa vez não me emocionei com o Galo, mas sim com o texto, feito por alguém que conhece muito do assunto!
Flavya, você escreve bem pra caramba...
Parabéns minha irmã.
Belo texto,traduz de verdade nosso sentimento preto e branco,o sentir mais do que ter,o apaixonar mais do que torcer,parabens. Darwin Alvim
ResponderExcluirObrigadíssima! E adorei as suas palavras também. Sentir é muito mais que ter, apaixonar é muito mais que torcer e somos assim com o Galo! :)
Excluirmenina, que emoção... que emoção... que emoção... lindo o texto... obrigado, por escrever este texto para mostrar (e relembrar) que vale sim ser atleticano... oh, se vale... vale milhões... de amigos que torcem para o GALÃO da massa.... meu GALO, nosso GALO.... foi lindo de se ver a saga do time na libertadores... foi muita emoção... e o texto... o que dizer? só mesmo parabenizar... crítica, nenhuma... a não ser quem for cruzeirense e ter a humildade e ombridade de dizer que torceu para o GALO, que gostaria de ser torcedor do GALO, pq sim, foi bonito pra caramba... kkkkk
ResponderExcluirValeu demais!!!!
ExcluirEste texto foi escrito pelo coração sabe. Por um coração muito, mas muito atleticano!!!