quinta-feira, 12 de setembro de 2013

E se eu fosse... cruzeirense?


Dia desses passou pela minha cabeça como seria a vida se torcesse para o Cruzeiro, time do Barro Preto, como gosto de chamar.

O time azul é líder do campeonato Brasileiro, tem uma média de gols por partida elogiada, além das suas duas Libertadores e quatro Copas do Brasil como a gente sabe de cor porque este é o único repertório da torcida quando se faz de cega aos feitos do rival.

Concluí que se eu fosse cruzeirense, seria infeliz. A vida não teria emoções. Muito menos nesta Libertadores em que o Galo foi CAMpeão. E é dela que eu quero falar.

- Em todas as conquistas do time do Barro Preto, sendo a última em 2003, não tínhamos rede social. Comemorar onde? Brigar com quem? Deletar quais amigos? Deixar de seguir quantos? Dar ‘’block’’ em quem? Essas coisas não existiam naquela época.

- Se eu fosse cruzeirense, não teria visto o Brasil aos pés do Galo. O Brasil virou atleticano e viu o que é ser torcedor do Clube Atlético. Sentiu na pele o que é ser forte e vingador.

- Se eu fosse cruzeirense, não teria visto Ronaldinho Gaúcho, o melhor do mundo por duas vezes, dar shows e mais shows em campo com o manto (sagrado) preto e branco. A começar por uma simples água e o considerado mito Rogério Ceni. E depois várias assistências, cobrança de pênalti, de escanteios, de faltas que culminaram em gols da saga em busca do título.

- Se eu fosse cruzeirense, não teria visto o meu time ser chamado de cavalo paraguaio e depois mostrar às Américas quem é era o melhor clube, a melhor equipe, os campeões. Eu não teria dado um tapa na cara da sociedade e da imprensa bairrista.

- Se eu fosse cruzeirense, eu não teria visto o meu time ter a melhor campanha da Copa. E a melhor campanha nos levou a decidir partidas importantes em casa.

- Se eu fosse cruzeirense, eu não teria visto um garoto marcar um gol aos 46 minutos do segundo tempo que deu ao Galo um empate importantíssimo, no México, após 20 horas de viagem e jogar em gramado sintético. Ah, o garoto, um simples jogador, se jogou no chão e pôs-se a chorar... por que fizeste isso, Luanzito?

- Se eu fosse cruzeirense, eu não teria visto, talvez, uma das imagens mais marcantes e importantes do futebol brasileiro nos últimos anos. Eu não teria visto um pênalti aos quase 46 minutos do segundo tempo (45’54’’). E muito menos veria a cena que o atleticano vai se lembrar pro resto da vida. A defesa do goleiro Victor, de pés e mãos santos. Uma canhota que vale por quantas Libertadores, Copas do Brasil, Brasileiros, Recopas e Mineiros forem. Eu não teria visto um santo dentro do Clube Atlético.

- Se eu fosse cruzeirense, eu também não teria visto esta canhota tantas vezes na vida. Ela foi repetida na TV à exaustão nos dias seguintes. Isso reforça o marco desta defesa na história do futebol. E o quanto o país tornou-se atleticano.

- Se eu fosse cruzeirense, eu não teria visto o Galo tomar um gol no último lance da partida numa cobrança de falta em plena Argentina. ‘’No llores por mi, Mineiro’’, cantava Scocco.

- Se eu fosse cruzeirense, eu muito menos teria visto um time ser declarado derrotado sem antes ter o segundo jogo para dar a virada. Isto merece detalhes. Eu não teria visto o time fazer o gol aos três minutos do primeiro tempo por um menino de alegria nas pernas que o mundo rendeu-se à ele. Também não teria visto um apagão do time e um apagão no estádio. Mas eu estava ali, junto à 8 milhões, gritando “eu acredito”. E muito menos teria visto um cara que jogou no time azul entrar em campo e marcar em seguida aquele que seria o gol da disputa de pênaltis.

- Se eu fosse cruzeirense, não teria feito tantos testes cardíacos em tão pouco tempo. O primeiro, mais sério, eu diria, foi o da canhota de São Victor. Depois, essa disputa de pênaltis dramática com o tido melhor time da Argentina e talvez, ao lado do Galo, das Américas. Era outro Club Atlético: o Newell’s Old Boys. E nesta disputa dramática, mais uma defesa impecável, agora com as mãos, do santo atleticano.

Se fosse cruzeirense, estaria assim
- Se eu fosse cruzeirense, não teria visto o meu Galo ir à final da Libertadores pela primeira vez na história do clube. Eu não teria visto jogos de tanta emoção e tanta gente torcendo arduamente pelo Atlético das Minas Gerais. E conhecer um time com tanta bravura e tão amado por sua torcida.

- Se eu fosse cruzeirense, não teria visto o meu time perder de novo fora de casa por 2x0 e assim alimentar a mística frase “eu acredito” por minutos, horas e dias e ficar sem viver direito por semanas. Além de rezar todas as orações e pedir a todos os santos proteção ao santo atleticano e à todos os seus discípulos.

- Se eu fosse cruzeirense, não teria visto os colegas torcedores dormirem na fila a fim de garantir um mísero, precioso e honroso ingresso para ver o maior espetáculo da história do Atlético, até aqui. Eu não teria visto uma festa linda na cidade antes daquele jogo. Eu não teria visto quase 60 mil pessoas lotarem o Mineirão e entrarem para a história como a maior arrecadação de verba da história do futebol sulamericano.

- Se eu fosse cruzeirense, eu não teria visto um ex-jogador do time azul, com a sua cabeça abençoada, marcar aos 41 minutos do segundo tempo o gol que levaria, mais uma vez, aos pênaltis. Eu não teria visto tamanha emoção do torcedor, do fã de futebol Brasil afora.

- Se eu fosse cruzeirense, meu amigo, eu não teria visto aquela bola bater na trave e dar de vez o título de direito e merecimento ao Clube Atlético Mineiro, que não deixou de acreditar um minuto. Que lutou mais de 40 anos para conquistar esta taça. Que doou-se por seis meses em busca dela. Que jogou a partida mais importante da história do clube com todo o banco de sangue do Hemominas e mostrou quem é o Galo forte e vingador.

- Se eu fosse cruzeirense, eu não teria ficado tão feliz como naquele 25 de julho de 2013. Não teria comemorado por dias um título suado e bonito. Não teria visto tanta gente naquela praça 7 cantando o hino do clube com tanto orgulho e amor.

- Se eu fosse cruzeirense, não teria como lema de vida “eu acredito”. Não teria como lema “Yes, We CAM”. Não teria um santo no gol. Não teria as Américas aos meus pés. Eu não bateria no peito com tanto orgulho e não gritaria com tanto ardor aos quatro cantos do mundo: eu sou atleticana!





Flávya Pereira é atleticana desde que entende o que é futebol, jornalista e fã dos Beatles. E de aniversário – no último dia 04 de Agosto – ganhou de presente o título de CAMpeã da América.


5 comentários:

  1. Nossa!!!! Já estava quase chorando aqui, mas depois que vi a autoria do texto, com a foto que eu mesma cliquei, não pude conter as lágrimas. Foi um momento lindo, que passamos juntas, chorando de alegria e tristeza, vivendo a maior emoção do mundo!
    Só que dessa vez não me emocionei com o Galo, mas sim com o texto, feito por alguém que conhece muito do assunto!
    Flavya, você escreve bem pra caramba...
    Parabéns minha irmã.

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  2. Belo texto,traduz de verdade nosso sentimento preto e branco,o sentir mais do que ter,o apaixonar mais do que torcer,parabens. Darwin Alvim

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    1. Obrigadíssima! E adorei as suas palavras também. Sentir é muito mais que ter, apaixonar é muito mais que torcer e somos assim com o Galo! :)

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  3. menina, que emoção... que emoção... que emoção... lindo o texto... obrigado, por escrever este texto para mostrar (e relembrar) que vale sim ser atleticano... oh, se vale... vale milhões... de amigos que torcem para o GALÃO da massa.... meu GALO, nosso GALO.... foi lindo de se ver a saga do time na libertadores... foi muita emoção... e o texto... o que dizer? só mesmo parabenizar... crítica, nenhuma... a não ser quem for cruzeirense e ter a humildade e ombridade de dizer que torceu para o GALO, que gostaria de ser torcedor do GALO, pq sim, foi bonito pra caramba... kkkkk

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    1. Valeu demais!!!!
      Este texto foi escrito pelo coração sabe. Por um coração muito, mas muito atleticano!!!

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