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quarta-feira, 25 de março de 2015

Fulano


Para fulano não importa em qual campeonato o Galo está jogando.

Fulano sempre faz a mesma coisa: Marca um encontro com outros atleticanos e vão ver o jogo juntos. Seja família, cônjuge, filho ou amigos, não interessa. Sempre vê os jogos juntos com alguém.

E é supersticioso. Usa aquela camisa da sorte. Aquela camisa que viu grandes vitórias. Aquela camisa que já esteve no estádio não se sabe quantas vezes e que já viajou para todos os lugares possíveis.

Se possível, Fulano assiste o jogo no mesmo lugar. Seja na mesma cadeira no estádio, na mesma poltrona ou na mesma mesa de um bar. Quando não é possível, o novo lugar vira o lugar da sorte, o sinal divino de que tinha que mudar de lugar.

É daqueles que no réveillon, fala pros amigos que não quer nada, só que o Galo seja campeão do Mineiro, da Copa do Brasil, do Brasileiro, da Libertadores e do Mundial. Que no aniversário, gosta mais daquele presente com cores alvinegras, que pode até não ter função certa, mas que será guardado como se fosse a chave de uma ferrrari.

O Fulano é daqueles que sempre é visto com cores alvinegras. Que prefere beber uma saideira, do que ter que guardar notas de 2 reais azul no bolso. Que compra caneta preta, que acha melhor quando o céu tá nublado e quando saca duas notas de 50 ao invés de uma de 100 reais.

É aquele que prefere deixar de um comprar um celular, de trocar o pneu do carro ou que leva marmita todos os dias, porque o dinheiro pra ir pro estádio é sagrado.

Aliás, para ele não tem dinheiro gasto com o time. Tudo que gasta com o time, considera um dízimo, pago como forma de agradecimento a Deus por aquele clube existir e proporcionar o aquecimento no peito quando o hino é ouvido.

Ou cantado. Porque Fulano canta o hino para embalar o filho, o afilhado, o irmão mais novo ou o animal de estimação. Nenhuma música acalma mais do que aqueles que exaltam o amor por uma nação.

E Fulano faz questão de cantá-lo sempre. Seja quando um objeto cai/alguém solta um foguete/alguém buzina ou quando dá vontade de cantar mesmo.  No casamento, na formatura, no batizado ou até em um enterro de outro atleticano.

Não importa, ele sempre está com time.

E se ele viveu momentos de não acreditar que estava no fundo do poço, hoje comemora porque está nas nuvens com a fase atual.

E olha que ele sofreu.

Fulano nunca se esquece desses momentos de sofrimento, que foram difíceis.

Fulano freqüentava o Mineirão. Viveu alegrias e tristezas, vitórias e derrotas, chorou e sorriu. Sempre com a mesma intensidade.

Foi pra lá, torcendo para que o pior não acontecesse, e quando aconteceu, continuou indo para o estádio, rezando para que o melhor viesse para seus irmãos de torcida. E se o pior aconteceu, porque o melhor não aconteceria?

E quando o melhor veio, seu amor, que parecia ser infinito, dobrou. E não parou de crescer.

Mesmo quando ia a Sete Lagoas em todos os jogos. Em alguns deles, ficou completamente molhado pelas chuvas que caía e em outras, voltava pra casa vermelho.

E não é vermelho de vergonha não, porque vergonha nunca teve. Ficava vermelho de por colocar a cara de frente ao Sol para proteger os jogadores. Ficava vermelho de raiva de tanto xingar a arbitragem que insistia em prejudicar o time. E vermelho pelo sangue que pulsava em seu corpo e não permitia parar de cantar.

E Fulano sabia que aquilo ali iria passar também.

Voltando pra família alvinegra da capital, não se entregou. Continuou comparecendo.

Os adversários tripudiavam, mas não ligava.

Seus irmãos de arquibancada continuaram a apoiar, como sempre fizeram.

No Horto, continuou gritando e dando sangue pelo time. E com tanto sangue alvinegro, o estádio absorveu a alma atleticana e começou a pulsar com o time, se tornando imbatível.

Ele, que tantas vezes ouviu gozações, provocações e nunca baixou a crista, hoje é mais um do que distribui esporadas no adversário.

Ele que tanto sofreu com ironias da mídia, que viu suas lágrimas descerem do rosto pela humilhação que tantos quiseram impor ao seu time, hoje sente essas mesmas lágrimas saltarem dos seus olhos para poder assistir o time jogar.

O melhor time do Brasil, segundo a mesma mídia.

Esse orgulho que sente hoje nunca deixou de estar ali. Só ficou adormecido, esperando o momento de renascer das cinzas, como sempre fez.

Mas Fulano não se importa, ou melhor, nunca se importou, pois o que sempre precisou foi a raça em campo, o sangue alvinegro correndo nas veias, e isso ele sempre encontrou nos seus irmãos de arquibancada.

Hoje, ele estará comemorando o aniversário do time, junto com esses irmãos.

Para vê-lo, é só ir onde a massa está.

Para conversar com ele, basta gritar GALO bem alto e ele vai ter responder, afinal, todos o conhecem. Ou um deles.

Porque existem milhões de Fulanos, que gritam, apoiam, que sofreram ou que amaram na mesma intensidade.

Somos milhões de Fulanos que não precisam ter nome para se apresentarem, basta carregar as cores e o amor pelo clube.

Somos milhões de pessoas que estarão juntos não parabenizando, mas agradecendo o fato dessa nação existir.

Somos do Clube Atlético Mineiro. 

terça-feira, 25 de março de 2014

Dia do atleticano

Geralmente neste dia, a imprensa e grande parte da torcida do Galo gostam de relembrar todas as conquistas do clube, contando as histórias dos títulos, relembrando momentos de alegria e até as derrotas mais dolorosas. 

Eu adoro ouvir essas histórias e reviver esses momentos, mas sei que cada atleticano tem seu momento e seu jeito de contar e comemorar a data. Mas pra mim, não comemoro apenas o dia do aniversário do clube. Eu festejo o dia do atleticano.

Mais do que nunca, somos nós, atleticanos, que fazemos com que o clube comemore.

Até porque, o clube só tem o tamanho que tem por causa dessa torcida. Temos ciência de que não se constrói um time com títulos. Temos exemplos de clubes que têm torcidas baseadas em títulos e sabemos exatamente qual nossa diferença pra eles.

Quem vive o Galo ou para o Galo, sabe exatamente o que se passa na cabeça em dias assim. Ver nosso clube ser festejado é motivo de alegria, mas ver como se festeja e se reconhecer nos olhos dos "convidados" da celebração, talvez seja o mais próximo do que consigo definir quando digo que devemos amar ao próximo.

Sei que o atleticano ama o outro atleticano de forma pura e sincera, senão como explicar aquele senhor, que nunca viu o rapaz na vida, abraçar o sujeito, ambos em lágrimas, quando o Léo Silva cabeceou a bola pra dentro do gol? Ou daquela menina que quase pulou no colo do vizinho de arquibancada quando a bola do Gimenez estourou na trave? 

E é em nome desse amor sincero ao alvinegro que tanto cantamos e nos orgulhamos é que comemoramos o dia de hoje. 

Tenho certeza de que, se houvesse tecnologia suficiente há 106 anos, iriamos procurar os vídeos dos torcedores blogueiros filmando a torcida no estádio Antônio Carlos (onde hoje é o shopping) e contando das proezas da torcida em acompanhar jogos na Alameda ou no Barro Preto.

Se fosse possível, veríamos páginas no Facebook homenageando o Mario de Castro, Kafunga, Guará, Ubaldo, Odair, dentre outros. Relembraríamos a defesa do Renato no chute do Gérson em 71 e daríamos risadas com os tweets do Elias Kalil sobre o Hexacampeonato 78-83.

Não me resta dúvidas, de que nos emocionaríamos com as fotos daqueles torcedores que ficam de costas pro jogo na maioria das vezes apenas pra registrar o atleticano no estádio. Veríamos os registros de torcedores afrouxando suas gravatas de emoção pelo título de Campeão dos Campeões de 1937 ou quando um time foi obrigado a mudar de nome e de cores depois de um 9x2. Quem sabe não veríamos vídeos e fotos da torcida carregando o Ubaldo nos ombros do Independência até Lourdes ou as fotos de crianças erguendo o punho pro alto tal qual certo atacante alvinegro conhecido como Baby-craque.

E o mais interessante é que mesmo sem haver tais registros, imaginamos cada cena. Aliás, imaginamos não. SENTIMOS cada cena desse. Talvez porque sabemos como é o estádio hoje. Mas pela minha convicção doutrinária e religiosa, prefiro acreditar que imaginamos e sentimos cada cena dessa porque já vivemos isso e tudo está tatuado na nossa alma e corre no nosso sangue.

O nosso amor pelo Galo é grande demais pra se viver em uma encarnação só. É paixão pra ser revivida em encarnações futuras. Por favor, não me diga que não viverei uma próxima vida perto do Galo novamente. Me deixe crer que assim que essa vida chegar ao fim, irei ao encontro de familiares e entes queridos para dar aquele abraço que não pude dar na defesa com a perna esquerda do Victor contra o Tijuana ou apenas para poder contar sobre a invasão à Argentina da Massa. Me deixe sonhar com um retorno a uma próxima vida para reviver cada emoção, cada sofrimento, mas com a mesma dose de amor.

E esses 106 anos mostram que enquanto houver uma criança gritando Galo quando um copo cai ou quando um foguete estoura no céu, teremos motivos pra comemorar. 

Eternamente. 

Mais do que parabéns, meu Galo de Ouro, eu quero dizer, Obrigado.

Ou melhor: ObriGalo por tudo!!


ObriGalo, Irmãos Alvinegros!!! (Foto: Centim - @Centim13)