quinta-feira, 11 de julho de 2013

Eu acredito

Só teremos noção da proporção desta Copa Libertadores de 2013, daqui muitos anos, quando as histórias desse torneio serão contadas por nossos filhos aos seus rebentos.

Cada jogo, cada momento, serão eternamente lembradas de onde estávamos no momento em que os fatos ocorriam.

Você se lembra onde estava quando o Brasil foi Penta? Do que fazia quando o Senna morreu? Com que roupa estava quando o John Lennon foi assassinado? Claro que se você estivesse vivo em um desses momentos, você vai se lembrar exatamente onde estava, o que fazia.

Pois é, será assim daqui alguns anos.

Você contará sobre cada jogo e lembrará cada detalhe. Irá falar que estava conversando com seu amigo quando o Ronaldinho bebeu a água contra o São Paulo. Se lembrará perfeitamente de onde estava e com quem estava quando o Galo venceu a altitude. Irá relatar com detalhes quanto bebeu e a “camisa da sorte” que foi usada contra o São Paulo.

Mas eu tenho certeza de que todas às vezes que citar as passagens por Tijuana e Newells Old Boys, independente de qualquer coisa você irá contar para seus filhos que você acreditou. Que você não desistiu. Que você torceu contra o vento.

Eu tenho certeza de que quem acredita em Deus, irá contar com detalhes das orações e das promessas feitas para a classificação se concretizar. Mas tenho mais certeza ainda de que até mesmo os ateus, mesmo que não assumam, mesmo que neguem, por pelo menos um instante, um segundo que seja, olharam para o céu em busca de explicação ou de um agradecimento.

Fotaça tirada pelo Daniel Teobaldo
 (www.soulgalo.com.br)

Quando escrevi o texto sobre o jogo de Rosário, fiquei receoso por fazer tantas menções religiosas por acreditar que nem todas as pessoas são cristãs e poderiam me entender mal, sendo que só queria transmitir uma mensagem que fizesse as pessoas crer, assim como eu acreditava, que algo estava para acontecer.

Se você chegou até aqui, viu que em momento nenhum eu afirmei que o título será nosso. Mas eu acredito que temos totais condições de sermos campeões.

Nada acontece nessa vida por acaso. Nada.  E eu disse isso ontem várias vezes, aos prantos, com todos os meus amigos de arquibancada. Nada acontece por acaso. Nada.

E essa história que você irá contar, também passará pelos foguetes que viraram a madrugada para incomodar os argentinos, passará pela Rua de Fogo que foi feita para recepcionar o time, mencionará o fato do nosso zagueiro jogar no sacrifício.

Mas a história que eu contarei, não deixarei de mencionar nunca um detalhe.

Enquanto eu estava na rua Pitangui bebendo com amigos, antes do jogo, um mendigo me pediu um gole de cerveja. Coloquei para ele no copo e ele me agradeceu, dizendo que não era de Minas Gerais, mas que torcia pro Galo porque os torcedores não tinham preconceito contra ele.

Eu achei interessante e disse que eu o via como uma pessoa que não tinha as mesmas condições de todo mundo, mas que era digno de respeito e por isso não tinha nenhum preconceito.

Até que ele me disse. “Posso te pedir uma coisa? Só uma? No próximo jogo me dê uma camisa do Galo? Pode ser pirata... Meu sonho é ter uma camisa.”

Fiquei emocionado com o pedido. Pensei em comprar uma pirata pra ele ali mesmo, mas estava com pouco dinheiro na carteira (R$ 15) e os ambulantes não aceitavam cartão. Aí respondi brincando. “Pode deixar que eu vou trazer pra você com o maior prazer, mas e se eu não te encontrar?”

“Se você não me encontrar é porque não era pra eu ganhar uma camisa sua. Mas na final, eu vou estar lá fora catando latinhas. E aí você me dá”, respondeu o mendigo.

Antes mesmo que eu falasse algo, ele ainda disse. “E nós vamos pra final. Tenho certeza disso. Pode anotar e me cobrar depois do jogo. Eu acredito. E posso ver que você também acredita. Então, como prova de que acreditamos, vamos fazer um pacto. Na final, você me dá uma camisa do Galo qualquer”.

Apertei a mão do sujeito, nos despedimos e ele foi embora.

Hoje de manhã, separei uma camisa minha.

Espero que quando contar essa história, daqui vinte anos, diga que eu comemorei um título da Libertadores, abraçado com um mendigo que ganhou uma camisa minha.


Uma camisa do Victor.

2 comentários:

  1. Muito legal! Só um atleticano sabe o que é isto e o que é ser atleticano. Tu sabes que se estivesse aí estaríamos juntos, onde estaremos na final e depois nos botecos de BH.

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