Comecei e apaguei esse texto várias vezes.
Na primeira tentativa, pensei em fazer um resumo do que foi essa
história fantástica do Galo na Libertadores 2013. Iria falar da água do
Ronaldinho, da vitória na altitude com jogada do Serginho, da maior goleada
brasileira em gramados argentinos, do quebra-pau dos argentinos com a PM no
Indepa. Iria relembrar o “Quando tá valendo, tá valendo” do R10, do gol do Luan
no finzinho do jogo no México, do milagre do Victor, da virada contra o
Newells.
Mas desisti. Isso vai constar nos jornais e estará sempre presente na
memória dos irmãos atleticanos.
Na segunda tentativa, quis fazer um resumo sobre o que senti quando
aquela bola acertou a trave, da reza, da fé que eu tive desde que a canhota do
Victor isolou o chute do Riascos nas Quartas.
Mas desisti de novo. Isso seria egoísmo. Não queria falar de mim...
E então, lembrei de toda a torcida.
Em todas as vezes que contar a história da Libertadores 2013, não
falarei apenas dos jogos, relembrando jogadas e gols.
Falarei dos meus irmãos de arquibancada.
Esses irmãos que comeram o pão que o diabo amassou desde 71. Pessoas
que foram obrigadas a aguentar gozações, durante 40 anos, sobre a falta de títulos,
sobre o azar eterno do time.
Mas que não desistiram.
Que enfrentaram todo o amargor de disputar a segunda divisão.
São pessoas que abrem mão de estar com a família em vários momentos,
que fazem esforços financeiros que desagradam quem não sabe o tamanho desse
amor pelo Galo.
E então, resolvi me concentrar neles.
Semana passada, estive no Paraguai, conforme já relatado. Tomamos
pedradas, fomos vítimas da polícia bandida do Paraguai e do acaso de um gol de
falta no fim do jogo.
Na volta, a turma do ônibus se uniu, formando uma grande família em que
TODOS que estavam no ônibus estavam confiantes no título. “Vamo Galo, ganhar
Libertadores... E vamo vamo Galo, ganhar Libertadoooooores” foi um dos hinos
dessa turma que não abaixou a guarda hora nenhuma.
Aliás, essas viagens nos mostram o quanto vale um título, mas não a
taça em si e sim o caminho percorrido. Viajei pra Argentina pro jogo contra o
Sarandi e pro Paraguai somente, pois meu trabalho não permitia faltar a tantos dias de serviço. Mas amigos foram a Bolívia, México, São Paulo e pra Rosário e
representavam bem a todos.
E estávamos todos lá ontem. A turma do ônibus pro Paraguai, os amigos que viajaram quando eu não pude, os amigos que não puderam viajar em nenhum jogo e os amigos que conhecemos somente na arquibancada.
Apoiamos, rezamos, vibramos, cantamos. Acreditamos mais do nunca. Choramos de alegria, outros desmaiaram de emoção.
Mas o mais importante é que comemoramos.
Por isso, quis falar sobre eles. Sobre a nossa torcida.
Nós merecemos isso, mais do que ninguém. Só nós sabemos o que passamos
nessa vida e o quanto o sangue alvinegro fervia em nossas veias para nos
levantar quando todos queriam nos afundar.
Mas nós vencemos, graças a Deus.
Como disse no texto sobre o Rosário, tudo nessa vida é um ciclo. E a
nossa hora chegou. Demorou, mas chegou.
Então, que me desculpe o jogo em si.
O que será tema constante dos meus relatos de campeão da Libertadores é a garra dessa torcida. Que virou noites soltando fogos para incomodar o adversário. Que enfrentou mais de 100 horas de onibus pra Argentina. Que tomou pedrada do Uruguai. Que fica de costas pro jogo enquanto tira fotos da torcida. Que chega em casa e prefere se dedicar a escrever textos e compartilhar informações do que dormir. Que perde relacionamentos por causa do Galo. Que perde emprego por causa do Galo. Que deixa de melhorar de vida para gastar com Galo.
A minha história é a mesma de todos nós.
Movidas pela fé, pela raça e pela luta.
Parabéns a todos nós.
Libertadores!!!! Ainda que tardia...

A torcida de FÉ, enfim, foi recompensada amigo. Assim que o elenco de FÉ tomou as rédeas. SOMOS, COM MÉRITO, C.A.M.PEÕES DA LIBERTADORES NO ANO DO GALO!!
ResponderExcluirÉ nosso e ninguém tira!!
É CAMPEÃO!!! TUM DUM DUM DUM DUM DUM!!!