segunda-feira, 13 de maio de 2013

Filhos de Francisco


Geralmente, uso esse espaço para crônicas sobre os jogos, sempre tentando retratar um torcedor em específico, seja freqüentador de estádios, moradores de outras cidades ou torcedores de radinho.

Porém, o que eu vi ontem e o que eu não vi hoje (até agora) no que se refere a segurança no estádio e atitudes das autoridades competentes, me preocupa demais, tendo em vista que sou freqüentador assíduo do Independência.

Sou sócio-torcedor e fico no setor do Galo na Veia, espaço que fica na lateral do campo, ao lado dos bancos de reserva e abaixo das cabines de transmissão e da torcida adversária.

A torcida do Cruzeiro ocupou aquele espaço ontem, com dois mil e poucos torcedores e havia, exatamente, TRÊS policiais militares para “tomar conta” dos cruzeirenses.

Pois bem. Esses três policiais militares não deram conta do serviço, pois a torcida azul jogou vários objetos lá de cima, atingindo os torcedores lá embaixo, incluindo crianças, idosos e mulheres. Dentre esses objetos, destacam-se copos plásticos (com água, urina e/ou refrigerantes), chicletes, bitucas de cigarro, grãos de milho e até mesmo batons.



Para não achar que é alegação de atleticano

E o que a Polícia Militar fez? Nada. Absolutamente nada. Alguns riam da situação, outros viravam o rosto, porém sem nenhuma atitude mais eficaz. (Um caso em específico ganhou mais notoriedade e foi parar na reportagem da TV Alterosa que você assistir clicando aqui).

Agora, a dúvida que vem a cabeça é a seguinte. Que a polícia é sempre alvo de críticas, todos sabemos, mas por que o Ministério Público não toma nenhuma atitude a respeito?

Onde estão aqueles promotores que colocam a cara na televisão pra pedir cadeia pra membros da torcida organizada do Atlético?

Cadê os baluartes do Estatuto do Torcedor que implicam com faixas, bandeiras, baterias, cervejas e tudo o que envolva trabalho no estádio?

Vejam que a torcida organizada do Atlético está proibida de usar bandeiras, faixas e instrumentos de bateria durante os jogos. Mas cadê a isonomia e a aplicação das mesmas penas para outras torcidas?

Um promotor de justiça, famoso por ser do Tribunal no Júri e quase pedir pena de morte para membros da organizada alvinegra em um caso de assassinato envolvendo as DUAS MAIORES TORCIDAS ORGANIZADAS DE MINAS GERAIS, chegou a dizer que odeia o Galo.

Pois bem, senhor promotor e membro do Conselho Gestor do América. Chegou a vez de pedir punição pra outras torcidas. Ou estou errado?

Talvez o senhor não saiba, porque não é do seu interesse, mas 50 membros de uma torcida organizada do Cruzeiro encurralaram um senhor de 50 anos no Barro Preto e o agrediram. Isso, no curso de Direito que fiz, chama-se TENTATIVA DE HOMICÍDIO e é de responsabilidade do Tribunal do Júri. Será que eu vou ver a sua cara na televisão pedindo punição pra eles?

Será que eu vou ver a cara de algum membro do Ministério Público pedir cadeia para aqueles membros da torcida azul que subiram em bando, na última quarta-feira, para agredir torcedores que estavam dormindo na fila para comprar ingressos para este clássico que ocorreu ontem?

E para estas pessoas que atiraram objetos na torcida ontem? Caso os ilustríssimos membros do Ministério Público não saibam, até bombas foram jogadas na torcida atleticana.

Talvez não veja a cara de nenhum deles, porque é mais fácil um promotor colocar a cara na TV e nos jornais para pedir proibição de venda de cervejas, de entrada nos estádio com faixas e bandeiras ou proibir sinalizadores nos arredores do estádio.

Pedir fechamento do Mineirão por causa de erro de projetos é fácil, mas porque os senhores não mandam punir quem prejudica o direito de vários torcedores ou até mesmo, atentam a vida de outros?

Talvez porque a mídia não esteja cobrindo os fatos como deveria. Ou talvez não seja do interesse.

Mas caso queiram, é só procurar saber que os fatos vão aparecer.

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