Conforme a religião católica ensina, um rosário (ou santo
rosário) consiste numa corrente com contas ou nós nas quais os fiéis fazem
orações de forma repetitiva. Atualmente, tal corrente é composta de duzentas
contas divididas em quatro partes:
O Primeiro fala dos mistérios gozosos (Nascimento de Cristo e expectativa em torno dele).
O Segundo fala sobre os momentos luminosos (Jesus se estabelece e atende às expectativas, mas é obrigado a passar por provações e operar milagres).
O Terceiro fala sobre os mistérios dolorosos (Paixão e sofrimento de Cristo).
Por fim, o quarto e último conjunto é sobre os momentos gloriosos (começa na Ressureição de Cristo e terminando na Assunção e Coroação de Maria).
O Primeiro fala dos mistérios gozosos (Nascimento de Cristo e expectativa em torno dele).
O Segundo fala sobre os momentos luminosos (Jesus se estabelece e atende às expectativas, mas é obrigado a passar por provações e operar milagres).
O Terceiro fala sobre os mistérios dolorosos (Paixão e sofrimento de Cristo).
Por fim, o quarto e último conjunto é sobre os momentos gloriosos (começa na Ressureição de Cristo e terminando na Assunção e Coroação de Maria).
Ironicamente, para nós Rosário significa um calvário, um
local onde sofremos e vemos a fé se esvair por entre os dedos. Aquele local
onde não queremos voltar mais, tamanha energia negativa que assolam a massa
atleticana.
Porém, ao pesquisar sobre rosário, refleti bastante sobre
nossa vida alvinegra e como ela se parece com a corrente religiosa.
Inevitável para você, atleticano, independente da sua fé ou
da sua religião, não pensar no que o time do Galo passou ao longo da sua
história e achar que estamos cravados nos momentos dolorosos e precisando
urgentemente passar para os gloriosos.
Pelo
amor de Deus, não pense que estou comparando o Galo com a história de Jesus
Cristo, não é isso.
Só acho interessante pensar que o rosário não é uma linha
que termina com os momentos gloriosos. Ele é um ciclo. Depois da última conta
dos mistérios gloriosos, se inicia a primeira conta dos momentos gozosos, onde
se retorna aos luminosos e se passa pelos dolorosos de novo.
Independente de se acreditar em Deus ou não, da sua religião
ou da sua crença, quero apenas que enxergue esse ciclo. Todos passamos por
ele, temos momentos de nos colocarem a prova, passamos por sofrimentos e temos
glórias.
E o que nos ensina a reza de um rosário é ter fé. Por isso
as pessoas fazem suas orações repetidas contando bolinhas naquela corrente. É
por fé, é por acharmos que algo de bom vai acontecer.
Pedir ao atleticano para ter fé é cruel, eu sei. Sofremos em
1977, 1980, 1981, 1987, 1990, 1994, 1996, 1997, 1999, 2001, 2005, 2009, 2012,
dentre outros anos.
Sou filho da arquibancada que em 1996 viu o Galo sair pra
Portuguesa. Chorei com a perda do título de 1999. Quase me afoguei com o
dilúvio de 2001. 2005 eu nem comento.
Mas se tem algo que me fazia voltar ao estádio no ano
seguinte, mesmo após ver o sonho escorrer por entre os dedos é a fé de naquele
ano seria diferente.
Ontem, perdemos o jogo e estamos em desvantagem.
Muitos se entregaram e não acreditam na virada. Não os
julgo, pois como disse acima, sofremos durante muito tempo e estamos calejados
de ver o sonho acabar.
Eu acredito. Eu tenho fé que ontem foi apenas mais uma conta
do mistério doloroso. Eu tenho fé que nosso momento glorioso está chegando. Uma
hora chega, é o ciclo.
A única coisa que eu te peço é que, caso vá ao Independência
dia 10, esteja com fé. Acredite.
E apóie. Apóie o tempo todo. Grite o máximo que puder. Cante
o mais alto que conseguir. Não deixe de acreditar por um só instante. Se existe
algo que temos a nosso favor e que historicamente opera milagres é a nossa
força, a nossa raça.
Se vamos conseguir não posso afirmar, mas posso garantir que
eu acredito. E muito.
Nosso calvário está chegando ao fim e Rosário será apenas
uma conta de sofrimento para o momento glorioso que vai chegar.
Afinal, torcemos contra o vento.
Foto: Gabriel Castro (gabrielcastro.net)




