Acho que a Cidade do Galo deveria ser fechada.
Mentira. Acho que devia ser, no mínimo, estudada.
Afinal, o que acontece nesse clube que atrai tantos sentimentos e que
prende a alma de todos que por aqui passam?
Lembro de quando era um novato nas arquibancadas do Mineirão
e via o Éder Aleixo se rasgar de amores pelo Galo. Mas ele tinha jogado no lado
fresco da lagoa e perguntei ao meu pai como que ele gostava tanto do Galo se
tinha vestido o uniforme dos Smurfs e recebi como resposta: "Quem aquece o coração
da massa, nunca sentirá a alma fria".
Bom, acho que era algo assim.
Sei que alguns anos depois eu vi o retorno do Cerezo pro
Galo e pude testemunhar a alegria daquele Velho Palhaço. E foi no primeiro jogo
da minha vida no Independência que eu vi o retorno dele, fazendo um gol na
Caldense. Para mim, ver aquele cara de 30 e tantos anos sair correndo igual uma
criança de 10 para comemorar um gol não fazia muito sentido, mas me emocionou
no dia.
Assim como no jogo contra o Milan em que ele se despediu do
futebol, fazendo o que mais lhe dava alegria: correr para a massa.
O curioso é que ele se emocionou também enquanto
todos se emocionavam.
E assim eu vi o Renaldo ir embora e prometer voltar em meio às
lágrimas. Como o Marques, o Tardelli, e agora, o Bernard.
Jogadores que saíram com um grande trabalho feito, mas que
queriam mais, e talvez fosse essa a explicação para aquele cisco no olho que
caiu em todos eles.
O que faz esses jogadores saírem daqui chorando com uma
saudade que parece não terminar e retornarem com um sorriso de contagiar?
Me lembrei do Dada, do Luizinho, do Euler e do Rei. Todos
eles já aposentados e que eu vi os olhos brilharem ao falarem da torcida do
Galo, do prazer que tiveram em jogar aqui.
Aí pensei em ter chegado na explicação do meu pai. A “culpa”
é da torcida.
Sim, pois ela canta o nome do Dada até hoje, lembra do
Luizinho com carinho, fez homenagens para o Euler quando ele jogava contra o
Galo e se encanta ao falar do Rei.
Essa torcida que fez o jogador que foi eleito o melhor do
mundo por duas vezes chorar ao ser lembrada, por apenas um gesto de
solidariedade, e que ganhou juras eternas de amor.
Mas aí, eu lembrei do Luan.
O que leva um jogador que está no clube há pouco mais de
seis meses e que ocupava o banco de reservas a chorar ao fazer um gol de empate
no México ou contra o Botafogo no Independência?
E o Victor? O que fez o goleiro santo chorar e derramar lágrimas
que possivelmente curam o câncer de tão abençoada e sincera emoção?
Será que é realmente só a torcida que faz isso?
Tem momentos que eu acho que sim, mas tem outros que acho
que não.
A torcida faz parte, lógico, mas tem algo especial para quem
veste o manto alvinegro, algo diferente que faz as pessoas que acreditam e tem
fé a dar a volta por cima.
Esse algo que eu também não sei explicar.
Mas que eu sei que você me entende.
Por isso acho que a Cidade do Galo deveria ser estudada para existir uma
explicação cientifica, algo que outras pessoas pudessem entender também.
Algo tão forte e contagiante assim tem que ser
compartilhado.
Porém, sei que este estudo não ocorrerá. Talvez seja melhor assim. O segredo deve ficar em família. E muito bem guardado.


Maravilhoso esse texo...não de onde vem esse amor também
ResponderExcluirTextaço, Gui. Emocionada. É a magia AlviNegra. Obrigada meu Deus, por poder conhecer e sentir na alma essa magia. Segredo de família. '
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