quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Fechem a Cidade do Galo

Acho que a Cidade do Galo deveria ser fechada.

Mentira. Acho que devia ser, no mínimo, estudada.

Afinal, o que acontece nesse clube que atrai tantos sentimentos e que prende a alma de todos que por aqui passam?

Lembro de quando era um novato nas arquibancadas do Mineirão e via o Éder Aleixo se rasgar de amores pelo Galo. Mas ele tinha jogado no lado fresco da lagoa e perguntei ao meu pai como que ele gostava tanto do Galo se tinha vestido o uniforme dos Smurfs e recebi como resposta: "Quem aquece o coração da massa, nunca sentirá a alma fria".

Bom, acho que era algo assim.

Sei que alguns anos depois eu vi o retorno do Cerezo pro Galo e pude testemunhar a alegria daquele Velho Palhaço. E foi no primeiro jogo da minha vida no Independência que eu vi o retorno dele, fazendo um gol na Caldense. Para mim, ver aquele cara de 30 e tantos anos sair correndo igual uma criança de 10 para comemorar um gol não fazia muito sentido, mas me emocionou no dia.

Assim como no jogo contra o Milan em que ele se despediu do futebol, fazendo o que mais lhe dava alegria: correr para a massa.

O curioso é que ele se emocionou também enquanto todos se emocionavam. 

E assim eu vi o Renaldo ir embora e prometer voltar em meio às lágrimas. Como o Marques, o Tardelli, e agora, o Bernard.



Jogadores que saíram com um grande trabalho feito, mas que queriam mais, e talvez fosse essa a explicação para aquele cisco no olho que caiu em todos eles.

O que faz esses jogadores saírem daqui chorando com uma saudade que parece não terminar e retornarem com um sorriso de contagiar?

Me lembrei do Dada, do Luizinho, do Euler e do Rei. Todos eles já aposentados e que eu vi os olhos brilharem ao falarem da torcida do Galo, do prazer que tiveram em jogar aqui.

Aí pensei em ter chegado na explicação do meu pai. A “culpa” é da torcida.

Sim, pois ela canta o nome do Dada até hoje, lembra do Luizinho com carinho, fez homenagens para o Euler quando ele jogava contra o Galo e se encanta ao falar do Rei.

Essa torcida que fez o jogador que foi eleito o melhor do mundo por duas vezes chorar ao ser lembrada, por apenas um gesto de solidariedade, e que ganhou juras eternas de amor.

Mas aí, eu lembrei do Luan.

O que leva um jogador que está no clube há pouco mais de seis meses e que ocupava o banco de reservas a chorar ao fazer um gol de empate no México ou contra o Botafogo no Independência?

E o Victor? O que fez o goleiro santo chorar e derramar lágrimas que possivelmente curam o câncer de tão abençoada e sincera emoção?

Será que é realmente só a torcida que faz isso?

Tem momentos que eu acho que sim, mas tem outros que acho que não.

A torcida faz parte, lógico, mas tem algo especial para quem veste o manto alvinegro, algo diferente que faz as pessoas que acreditam e tem fé a dar a volta por cima.

Esse algo que eu também não sei explicar.

Mas que eu sei que você me entende.

Por isso acho que a Cidade do Galo deveria ser estudada para existir uma explicação cientifica, algo que outras pessoas pudessem entender também.


Algo tão forte e contagiante assim tem que ser compartilhado.

Porém, sei que este estudo não ocorrerá. Talvez seja melhor assim. O segredo deve ficar em família. E muito bem guardado.

2 comentários:

  1. Maravilhoso esse texo...não de onde vem esse amor também

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  2. Textaço, Gui. Emocionada. É a magia AlviNegra. Obrigada meu Deus, por poder conhecer e sentir na alma essa magia. Segredo de família. '

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